Fugitivos 2003
Assistir o processo de criação de Marcelo Paciornik em seu ateliê é um indicativo para a compreensão de sua pintura. As amplas pinceladas em diagonais são rápidas, vigorosas, sem afeição pelas cores solares. O artista curitibano tem emergência. Ele não sabe exatamente o porquê disso. São os impulsos que guiam sua trajetória. A similaridade do que faz com o gênero de uma fotografia objetiva, direta, sem meias verdades lhe é familiar.
A produção ágil a que se dedica abastece uma arte próxima da escola da ‘painting action’ de Jackson Pollock (1912 1956). A pintura de Marcelo Paciornik é exagerada. Ela começa, se en
gendra, mas idealiza em não se esgotar nas áreas das grandes telas. O que o artista processa na urgência e no anonimato contribuem para uma obra que aspira o não-território das tintas.
Assim, o lugar tempestivo que decidiu fundar abriga personagens dramáticos - fugitivos do tempo e do espaço. Eles passam pelo nosso olhar, fogem. Evitam se expor. Os mistérios das figuras são testemunhados nos quadros, mas não se decodificam. Marcelo Paciornik, portanto, apresenta charadas expressionistas - algo que o aproxima também da obra inicial de Philip Guston (1913 - 1980).
Há a batida roqueira nesses flashes pictóricos. Sugere-se um romantismo agressivo. Ama-se a pintura ao mesmo tempo que é prazeroso confrontá-la. O jovem artista cria conflitos. Essa é a sua trama. Apimentada com jogos de rapidez na execução.
Washington de Carvalho Neves
 

 

Fugitivos 2 - 120x160 cm - óleo sobre tela

 

 

Fugitivos 3 - 120x160 cm - óleo sobre tela

 

 

Ortal - 160x120 cm - óleo sobre tela

 

 

Fugitivos 1 - 120x160 cm - óleo sobre tela